segunda-feira, 9 de novembro de 2009

VOTAÇÃO NO ESC: precisa tudo isto???

Você, eurofã de carteirinha, já deve ter se perguntado: “Mas pra que tanta frescura nesta votação do Eurovision?”. Bom, talvez não você, mas algum familiar, amigo, cachorro, gato, papagaio (ou até o vírus da gripe suína, que pudesse estar flutuando no ar naquele momento), pode ter se perguntado. Pois bem, antes de fazer qualquer juízo, é necessário desenrolar a história do festival e entender.

O primeiro ESC não teve votação!!! Procure em qualquer site que fale sobre este festival e verá que, na colocação final, aparece a suíça como primeira e o resto dos países sem colocação alguma (ou o que é pior, como 2º ou último), e nenhuma referencia de quantos pontos recebeu. Na realidade (estava brincando no começo do paragrafo), houve uma votação sim, mas que não foi transmitida, onde dois jurados de cada país podiam votar na sua canção favorita (inclusive, na do seu próprio país). Além disto, como a Bélgica não votou, os jurados suíços, donos da casa, fizeram este “favor”. Depois desta situação embaraçosa, ficou determinado que nunca mais se usaria este sistema de votação, que as coisas seriam as claras.

Aí começou outra confusão!!! Vários sistemas de votação foram testados nos anos seguintes até a chegada, em 1975, do sistema atual, que se mostrou bastante eficaz, uma vez que o número de países aumentava. Entretanto, como ainda não havíamos entrado na era das transmissões via satélite, as votações eram feitas por... telefone!!! Isto mesmo, o velho e querido bolinha com disquinho. No vídeo promocional da Bósnia-Herzegovina, em 2005, há um momento saudosista e hilariante da apresentadora chamando Copenhague para votar (imaginem que o sistema de telefonia, na época, não era tão desenvolvido como hoje. Em alguns lugares ainda não o é!!!). Então, os organizadores colocavam o porta-voz na linha e todos, no auditório e em casa, podiam ouvir a votação daquele país.

Em 1994, pela primeira vez, aconteceu a transmissão, ao vivo (não que antes não fosse) e a cores, da votação de cada país. Enfim podíamos ver as caras e bocas dos responsáveis pelo (in)sucesso, dos países no festival!!! Como diz o meu chefe, tínhamos a quem xingar. Claro que os porta-vozes não eram responsáveis pelas votações, mas traziam um pouco de humanidade para aquele momento tão burocrático de um concurso que tinha, por objetivo, entreter. Mas, como já disse Andy Warhol, no futuro, toda a gente será célebre durante quinze minutos, e então aquele momento tornou-se uma verdadeira vitrine, na qual desfilaram, celebridades nacionais, internacionais, brincadeiras, protestos e o que mais a imaginação permitiu.

Com a introdução das semifinais, em 2004, e o conseqüente inchaço no número de participantes, a coisa começou a ficar preocupante, pois o programa passava das três horas chegando até a quase quatro insuportáveis horas de aflição, em 2005. Em 2006, tentou-se, com certo sucesso, resolver este problema do tempo, sem perder o glamour da votação. Desde então, os prota-vozes passaram a declamar apenas o TOP 3 dos 10, sendo as sete colocações iniciais exibidas diretamente na tela, enquanto o acontecem os floreios e rapapés de costume.

Contudo, resta a pergunta, meu caro leitor: será que, com a tecnologia que temos hoje, com a rapidez dos nossos sistemas de comunicação, um procedimento de votação como este, que apenas existiu devido as limitações do passado, ainda tem sentindo??? Muitos dizem que não, outros dizem que é o charme do festival, outros dizem que mantem a lisura do processo. Eu, particularmente, fico com as mãos suadas durante a votação, mesmo que a liderança do 1º colocado já seja folgada. E não consigo assistir um festival se não tiver um momento de suspense. Enfim, cada um tem sua ideia e sua opinião. Veremos o que o tempo nos dirá.

“Alo??? Kopenhagen???”

sábado, 24 de outubro de 2009

Eurovision e a cena musical brasileira

(Mais um artigo feito para o Portal Mundo Angel, mas que aqui vou reproduzir na integra)

Como já disse anteriormente, o Eurovision tem sido referência musical, desde a muito, na Europa, visto ser o maior festival do planeta e uns dos mais longínquos (Ao que parece, apenas o Festival de San Remo, na Itália, seja mais antigo). A importância é inegável, uma vez que o mesmo já revelou e recebeu grandes celebridades: ABBA, Celine Dion, Lara Fabian, Julio Iglesias, Olivia Newton-John, Dulce Pontes, apenas para citar alguns. Embora esta notoriedade, as músicas e os artistas eurovisivos ainda são desconhecidos, ou não reconhecidos, no Brasil.

Isso se deve a uma resistência, pelo menos aqui no sul, às novidades. As pessoas estão acostumadas a ouvir artistas consagrados e seus “enlatados norte-americanos”. Não que a cena pop ianque não influencie a Europa, afinal a Grande Maçã é um pólo de cultura. Mas nos restringir a isso é algo assustador. Creio que nossas divas Madonna e Cher (que participou do San Remo quando este era a pré-seleção da Itália para o Eurovision, em 1967) possam muito bem conviver em harmonia com as talentosíssimas Sertab Erener, Helena Paparizou, Anna Vissi, Ani Lorak, Karolina Goćeva, Patricia Kass. As pistas de dança podem muito bem tocar Britney, Beyoncé, Lady Gaga em companhia de Svetlana Loboda, Kalomira, Sirusho, Charlotte Perreli, Tina Karol, isto para citar apenas as eurovisivas, pois este universo se amplia quando visualizamos artistas que estiveram às portas do festival (participando de finais nacionais) ou ainda indo mais longe, analisando o Velho Continente como um todo.

Existe muita qualidade musical na Europa que não é explorada aqui. Quantas baladas balcânicas perdemos, apenas porque não compreendemos as línguas eslavas (embora muitos não compreendam, tampouco, o inglês)??? Quantos “dances” nós desperdiçamos, porque os toques tradicionais, que os recheiam, são considerados antiquados??? Quantas composições significativas, quantos compositores, são relegados ao título de “ridículos”???

Querem um exemplo??? A banda Sistem of a down é composta por descendentes de armênios!!! Eles são engajados nas questões políticas da Armênia... Outra banda, Nightwish, participou da seletiva da Finlândia (seu país de origem) para o Eurovision de 2000. Foi a preferida do público, mas preterida pelo júri, que escolheu outra artista, Nina Åström. Apesar do sucesso na Europa, apenas os conhecemos após a notoriedade nos Estados Unidos.

Inclusive, muitos artistas abdicam de cantar em seus próprios idiomas para cantar em inglês, afim de alcançar um público maior. Mesmo o ABBA, o grupo mais conhecido que participou do festival, parece que fez uma única canção, Dancing Queen. Muitos DJs esquecem de Waterloo, a canção que levou o caneco para a Suécia em 1974, outros esquecem que grandes divas já beberam desta fonte em suas composições (de onde vocês acham que vem aqueles samples no começo de Hung up???).

Não quero desmerecer os artistas que estão por ai, apenas quero mostrar outras vias, outras propostas, outras ópticas de música para não alienarmos nossas mentes e ouvidos. Como disse anteriormente, “enlatados” são muito bons, pois basta abrir e curtir. Mas desbravar novas culturas, novos conceitos, são atitudes corajosas que devem ser incentivadas. Por isto, coloco a vocês, leitores, outro desafio: aqui estão algumas canções de minha preferência.

Ouçam. Depois se perguntem: “Será que dá balada???”. Eu acho que sim.

Qele qele (Armênia 2008)

Carry me in your dreams (Albânia 2009)

Vrag naj vzame (Eslovênia 2008)

Just Get Out of My (Montenegro 2009)

Secret combination (Grécia 2008)

La noche es para mí (Espanha 2009)

Hero (Suécia 2008)

Lose control (Finlândia 2009)

Shady lady (Ucrânia 2008)

Düm tek tek (Turquia 2009)

E, acima de tudo... Aproveitem!!!

domingo, 18 de outubro de 2009

Artigo no Portal Mundo Angel

Como primeira postagem, queria divulgar para vocês o artigo que escrevi, relativo ao Eurovision, para o Portal Mundo Angel, um portal sobre a cultura GLBT do Rio Grande do Sul. Um dos gerenciadores, Jonatan Furtado, conhecido como Jhenny Haddukan, é meu amigo de longa data e sempre foi um simpatizante do festival, embora não tenha um foco principal no mesmo. Ele me pediu para fazer este artigo, o qual teve boa recepção.

Esta foi mais uma tentativa de popularizar o ESC no mundo GLBT (ou GLS) do RS, que tem muita resistência quanto a novidades. Creio que foi um bom trabalho e eles estão esperando por outros artigo, os quais farei com muito prazer.

Este foi o artigo: http://www.mundoangel.com/canais/artigos/eurovision.htm!!!

Deixem suas opiniões!!!

domingo, 11 de outubro de 2009

DuDaVision: como tudo começou!!!

Bem-vindos, Eurofãs brasileiros, a mais um blog sobre o maior concurso musical do planeta. Talvez poucos de vocês me conheçam, por isso permitam-me contextualizar a que se propõe este.
Meu nome é Eduardo Saturno do Nascimento mas, no mundo eurovisivo, sou conhecido como “Duda Saturno”. Tenho 28 anos, sou virginiano (perfeccionista até não poder mais) e sou um aficionado por concursos, desde o Carnaval do Rio até o Miss Universo. Mas em 29/05/1999, estava eu, entediado por ter de ficar em casa, zapeando os canais da televisão a cabo, quando de repente, encontro o inicio de uma transmissão no canal espanhol (TVE). Era um concurso de músicas e a festa estava formada. Parei ali para assistir e me encantei com o que escutava... Era o Eurovision Song Contest e nascia ali uma paixão, a qual cultivo desde então.
Até 2004 a paixão se resumia a assistir o festival e torcer (e bota torcer nisto) para que as canções chegassem de alguma forma aqui no Brasil. Mas, depois de muito esperar, e devido ao fato de ter perdido a transmissão de 2003, decidi: nunca mais deixaria de assistir e faria o possível (e, se possível, o impossível) para torná-lo popular aqui nas terras tupiniquins.
Bem, a primeira meta até não foi difícil de cumprir. Mas a segunda, era um verdadeiro trabalho hercúleo para ser feito sozinho. Contatos foram feitos, mas apenas em 2008 encontrei um grupo de eurofãs que realmente me fizeram acreditar que o Eurovision, enfim, seria popular por aqui. E isto me encorajou a abrir este blog, que tinha que ter a minha marca: a visão do Duda sobre o Eurovision... DudaVision!!!
Não vou me preocupar em dar informações ou reportagens sobre o festival, afinal já temos bons blogs que o fazem. Aqui você poderá acompanhar a opinião de um eurofã antigo que, cada dia mais, se apaixona por este concurso, que (veja você, que loucura!) dura uma semana, e já durou menos... Aqui você acompanhará as minhas opiniões, piadas, brincadeiras e divagações que faço junto aos meus botões, mas que agora compartilharei com todos vocês.
Por isto, se você curte o festival, ou se ainda não curte, ou se não quer curtir, me acompanhe e veja como é bom estar neste mundo eurovisivo, mesmo estando além-mar.
Um abraço!!!